| Capítulo
1: Fala e Disartria (fala pastosa)
Sua fala pode estar levemente pastosa. Sua língua
e lábios podem não ser capazes de movimentar-se
com a mesma precisão para falar, com que você
estava acostumado há anos. Comumente, as pessoas falam
3 a 4 sílabas por segundo. Quando uma pessoa apresenta
disartria ou fala pastosa, a língua e os lábios
não podem movimentar-se com o mesmo grau de velocidade,
precisão ou força que antes.
É necessário abordar algumas situações
básicas que surgem e algumas reações
comuns. Quando alguém deve repetir freqüentemente
duas ou três vezes o que está falando, existe
uma tendência a se ficar nervoso e interromper a tentativa
de falar. O falante freqüentemente diz "não
importa" e desiste prematuramente. Se for suficientemente
importante dizer e alguém quiser ouvir, faça
um esforço adicional e use as técnicas (ver
o anexo: "Técnicas para Melhorar a Comunicação
Verbal").
Do mesmo modo, o ouvinte sente-se frustrado, por não
compreender alguém. É da natureza humana querer
evitar ferir os sentimentos da pessoa que você ama.
Assim, em vez de pedir para alguém repetir a mesma
frase pela terceira vez, com freqüência as pessoas
"simulam" ter compreendido. Fazer de conta que compreendeu
alguém pode aliviar as coisas temporariamente, mas
a pessoa que emite a mensagem logo perceberá que você
não compreendeu. Assim, está criado um novo
problema. O falante sente que ninguém se importa suficientemente
com o que ele tem a dizer, para fazer um esforço para
descobrir.
Também existe a tendência a que as pessoas esperem
que seus amados saibam automaticamente o que desejam. Mesmo
para pessoas que estão juntas há 40 ou 50 anos,
não é fácil "adivinhar" o que
alguém está dizendo. É importante tornar
compreensível o assunto e o ouvinte terá uma
melhor chance de seguir o que a pessoa está falando.
O ouvinte pode pressupor inadvertidamente que pode "ler
a mente de seu/sua parceiro/a". Com freqüência,
segue-se uma rotina diária e o ouvinte pode presumir
que o comentário está relacionado com a situação
imediata. Entretanto, o ouvinte pode adivinhar errado. É
importante obter um retorno do falante, para ter certeza de
que sua mensagem foi recebida corretamente. Repetir a mensagem
para o falante é uma forma de verificar a compreensão.
Todas as reações acima são bastante
comuns. Com o encorajamento mútuo, talvez você
e sua família possam contornar esses problemas comuns.
É importante que você tenha consciência
desses fatores. Tome a dianteira e assuma a responsabilidade
para si. Olhe para o rosto do ouvinte e ouça suas afirmações.
Se você achar que pode ter sido mal compreendido, pergunte
para o ouvinte. Use suas técnicas.
Peça um retorno a seu ouvinte. Ele pode dizer se você
precisa falar mais alto, mais lentamente, etc. Ele também
pode dizer quando você está falando de modo mais
claro. É importante ouvir elogios, porque é
difícil apresentar um problema de fala, depois de ter
falado de modo claro durante anos. A mudança no modo
de falar não acontece da noite para o dia e o elogio
pode ser muito útil, para desenvolver novos hábitos.
Sua família pode ter um papel importante nesse programa.
A parte mais importante na mudança de seu modo de falar
é a capacidade de ouvir como soa sua fala. Você
pode ter observado que você pode pronunciar a mesma
palavra ou frase de dois modos diferentes e ter duas pronúncias
muito diferentes. Uma pode ser muito mais fácil de
compreender. Existe um intervalo em suas habilidades de fala
que provavelmente você já notou. À noite
ou quando você está cansado ou estressado, sua
fala pode não ter o melhor desempenho. Essa flutuação
é importante. Nosso objetivo é fazê-lo
utilizar suas habilidades melhores, com capacidade de automonitorar-se,
e mantê-lo nesse nível.
Ao ouvir-se, você provavelmente pode perceber a diferença
entre sua melhor pronúncia de uma palavra e a pior.
É mais difícil discernir a diferença
entre a boa pronúncia e a pronúncia regular.
Essa capacidade de ouvir-se e decidir que "posso ter
uma pronúncia mais clara, se tentar de novo" é
crucial para a comunicação.
Pode haver épocas em que, a despeito da automonitorização
e a despeito das técnicas de compensação,
sua fala não será suficientemente clara, para
ser compreendida. Outros fatores, como estresse, cansaço
e meios ruidosos, também podem contribuir para as dificuldades
de fala. Podemos auxiliar nessa área, trabalhando os
"sistemas de backup".
A nossa experiência com pacientes revelou muito claramente
que a comunicação envolve muito mais do que
a fala ou redação. A comunicação
envolve a postura do corpo, suas expressões faciais
e o contato ocular, assim como os gestos. Todos esses métodos
podem ser usados, para transmitir informações.
Dispomos de muitas estratégias referentes ao uso dos
outros "canais de comunicação" para
compartilhar.
Quando surgir uma dificuldade na fala, isso não significa
que a comunicação cessa. À medida que
você lidar com essa disartria, você desenvolverá
seu próprio estilo pessoal de interagir com sua família,
amigos e pessoas amadas. Minimizar as frustrações
e maximizar suas capacidades é o papel do especialista
em patologia da fala e linguagem.
Última atualização: 18/04/2007
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