| Fisioterapia
na esclerose lateral amiotrófica
O papel da fisioterapia na esclerose lateral amiotrófica
começa antes de ter ocorrido qualquer perda significativa
da força ou função, e continua durante
toda a vida da pessoa com esclerose lateral amiotrófica.
A fisioterapia envolve as seguintes tarefas:
- Manter a flexibilidade articular normal da pessoa ou
a amplitude de movimento.
- Manter a força muscular tanto quanto possível
- Manter a função tanto quanto possível
- Diminuir a dor
O terapeuta atinge esses objetivos, avaliando o indivíduo
regularmente e, com base nesses achados, instruindo o paciente
e/ou quem assiste ao paciente a realizar exercícios
apropriados, procurar equipamentos de adaptação
e avaliar as necessidades das atividades de vida diária.
Nessa questão, existem dois problemas mais comuns
na ELA. Ambos envolvem a perda da amplitude de movimento articular
normal. Esses dois problemas são a capsulite adesiva
da articulação do ombro e as contraturas de
flexão do pescoço.
Capsulite adesiva da articulação
do ombro
A capsulite significa que o tecido conjuntivo que circunda
as articulações se inflama. A causa habitualmente
é a fraqueza muscular que resulta na perda de movimento
de uma articulação. Quando uma articulação
do corpo não se movimenta dentro da amplitude normal
durante um período apreciável, esse tecido conjuntivo
torna-se menos elástico e maleável. Ele pode
endurecer-se rapidamente (algumas vezes, dentro de dias),
torna-se fibrótico e restringe o movimento. Se a articulação
se movimentar forçadamente dentro do intervalo normal
(além do ponto que limita agora o movimento), o paciente
apresentará uma dor aguda imediata e o corpo produzirá
uma resposta de inflamação.
Inicia-se agora um ciclo vicioso. O paciente não deseja
movimentar a articulação, porque isso causa
dor, mas a imobilidade aumentada produz mais restrição
e mais dor. Como a articulação do ombro é
a articulação envolvida mais comumente, isso
causa problemas reais com as atividades do dia a dia. A tentativa
de levantar o braço ativamente ou passivamente (quando
o paciente levanta o braço ou quando quem assiste ao
paciente levanta o seu braço) para banhar-se ou a tentativa
de vestir ou tirar uma camisa ou uma jaqueta pode causar uma
dor insuportável. Finalmente, sentar-se ereto, sem
apoiar o braço, pode ser intolerável.
Para tentar evitar isso, é necessário começar
a ser ativo diariamente, com exercícios de movimento
ativo assistido ou passivo (o membro é movimentado
por uma outra pessoa) dentro da amplitude de movimento, antes
que o paciente perca qualquer mobilidade. Diante dos primeiros
sinais de fraqueza da musculatura do ombro, o paciente e o
cuidador devem ser instruídos a realizar exercícios
de flexibilidade (intervalo de movimento).
O paciente deve completar esses exercícios independentemente
durante o maior tempo possível, deitando-se de costas
e usando uma bengala para permitir que o braço oposto
forneça a força. Finalmente, se o paciente não
puder mais levantar o braço, a pessoa que cuida deste
paciente ainda deve movimentar suavemente a articulação
do ombro dentro do intervalo disponível. É importante
que o paciente e a família sejam orientados por um
terapeuta a realizar os exercícios, de acordo com o
método correto, porque pode ocorrer uma lesão
real, se os exercícios forem feitos incorretamente.
Em alguns casos, os familiares podem receber instruções
sobre a mobilização suave da articulação.
Essa é uma técnica de exercício que requer
algum treinamento, mas, se realizada corretamente, pode auxiliar
a prevenir a capsulite adesiva.
Se, a despeito de todos os esforços, houver suspeita
de capsulite adesiva, deve-se iniciar a fisioterapia intensa
imediatamente. A combinação de calor profundo
ou gelo, antiinflamatórios e analgésicos e técnicas
de mobilização suave ainda podem restabelecer
a flexibilidade normal e eliminar a dor.
Contratura de flexão do pescoço
Uma outra complicação comum da esclerose lateral
amiotrófica é a contratura de flexão
do pescoço. Como os músculos extensores do pescoço
(os músculos na região posterior do pescoço
que movimentam a cabeça para cima) freqüentemente
enfraquecem antes do grupo de músculos oponentes, flexores
do pescoço, os músculos extensores se estiram
quando a cabeça do paciente começa a cair. Assim,
os músculos flexores (na parte anterior do pescoço),
em contraposição, tornam-se encurtados porque
o paciente tem uma dificuldade crescente de manter a posição
ereta.
Um colar cervical pode auxiliar a dar apoio para o paciente,
mas algumas vezes eles não são bem tolerados.
Podem ser necessárias paciência e perseverança
para auxiliar o paciente a encontrar um colar cervical suficientemente
resistente para dar apoio e, ao mesmo tempo, leve e delicado
para ser confortável.
Entretanto, o erro que se comete freqüentemente é
que, quando o paciente aceitou a realidade de que é
necessário um colar cervical, os músculos flexores
do pescoço estão tão encurtados que o
colar não pode ser tolerado. É importante que
o paciente e/ou o responsável por cuidar do paciente
inicie exercícios de amplitude de movimento ativos,
ativos assistidos ou passivos, antes que qualquer restrição
do movimento do pescoço se torne evidente.
O paciente e o responsável por cuidar dele devem receber
instruções sobre os exercícios de amplitude
de movimentos suaves do pescoço que podem ser realizados
com o paciente sentado e deitado. Eles devem ser realizados
pelo menos uma vez por dia, mantendo assim a flexibilidade
dos músculos do pescoço normais.
Em conclusão, o paciente com esclerose lateral amiotrófica
se beneficia da intervenção de fisioterapia
em todos os estágios da doença. Entretanto,
é imperativo que cada paciente seja avaliado por um
fisioterapeuta regularmente e que o tratamento apropriado
seja iniciado antes que surjam complicações
sérias.
Fisioterapia na esclerose lateral amiotrófica
(Wendy King, PT )
Última atualização: 18/04/2007
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