| Capítulo
5: Edema dos Pés e Pernas
Pés e pernas inchados são um problema comum
em pacientes com doenças neuromusculares. Geralmente
isso ocorre pela falta de ação muscular das
pernas, mas é muito importante compreender por que
ocorre o edema, e principalmente como proceder para minimizar
este tipo de problema.
O que causa um edema?
O coração bombeia o sangue através das
artérias sob pressão. À medida que as
artérias se ramificam em artérias menores e
subseqüentemente em minúsculos capilares, a pressão
diminui. O oxigênio é removido do sangue nos
capilares e o sangue "usado" flui para as veias,
para retornar aos pulmões para a reoxigenação.
Infelizmente, a pressão gerada pelo batimento cardíaco
já foi perdida nesse estágio e o sangue depende
da simples pressão para voltar para o coração.
Isso é auxiliado pela atividade muscular - o movimento
muscular comum "espreme" as veias e empurra o sangue.
As veias têm poucas válvulas unidirecionais durante
todo seu trajeto; essas válvulas impedem o sangue de
retornar, à medida que ele é "empurrado"
em direção ao coração.
O que ocorre quando se perde o
movimento do músculo?
Torna-se muito mais difícil propelir o sangue das pernas
para o coração. O sangue fica represado nas
veias que se distendem. A água extravasa das veias
distendidas para os tecidos e suas pernas e pés incham
(edema). Com os episódios repetidos de inchaço,
as pequenas veias sofrem lesões, permitindo o extravasamento
e a água extravasa das veias para os tecidos ainda
mais facilmente. Nessa ocasião, as válvulas
sofrem um colapso sob o peso maciço de todo o sangue
que se represou acima delas. Essa lesão das válvulas
é permanente. Sem as válvulas, o sangue se represa
nos pés de modo ainda mais grave do que antes e as
válvulas remanescentes ficam sujeitas a uma pressão
ainda maior.
Pode haver complicações?
Sim. A circulação lenta permite que o sangue
se represe e, quando não está em movimento,
o sangue tende a coagular-se. Pode formar-se um coágulo
sangüíneo (trombo) que pode não apenas
impedir adicionalmente a circulação, mas desprender-se
e ser levado aos pulmões ou cérebro. Felizmente,
isso não parece acontecer tão freqüentemente
quanto deveria ocorrer, mas é preciso informar o seu
médico imediatamente se uma perna subitamente parecer
muito mais inchada ou se o inchaço não diminuir
durante a noite, como habitualmente, e especialmente se a
perna se tornar dolorosa.
O que pode ocorrer a longo prazo?
A longo prazo, a circulação lenta começa
a afetar a pele das pernas e pés. A pele torna-se frágil
e cicatriza-se muito lentamente, quando sofre uma lesão.
Mesmo sem uma lesão, podem surgir úlceras chamadas
de "úlceras de estase". Elas são extremamente
difíceis de cicatrizar, porque o fluxo sangüíneo
para a pele é muito ruim.
Existe algum tipo de tratamento
para as pernas inchadas?
Sim, mas se não podem curar o problema, podem minimizá-lo
e retardar as lesões. Os hospitais freqüentemente
usam dispositivos para melhorar o fluxo sangüíneo
dos pés dos pacientes que devem ficar confinados ao
leito durante um período, para reduzir o risco de coágulos
sangüíneos. As meias elásticas ou de compressão
são, de longe, o dispositivo mais comum. Ao comprimir
as pernas e os pés um pouco, as meias elásticas
impedem as veias de se distender. Você pode solicitar
a seu médico uma prescrição de meias
elásticas, mas, a menos que você tenha braços
e mãos fortes, você precisará de ajuda,
para colocá-las.
Os hospitais também usam tipos de "botas"
que são infladas e desinfladas, para auxiliar a bombear
o sangue. Um estudo aparentemente demonstrou que a simples
alternância de pressão na planta dos pés
melhora muito o fluxo, de modo que algumas marcas de botas
simplesmente aplicam ondas de pressão na planta dos
pés. Não creio que elas estejam disponíveis
para uso domiciliar.
Que tipos de exercícios
podem ser feitos?
Uma parte essencial do tratamento é deitar-se e elevar
suas pernas acima do nível do coração
a intervalos durante o dia. Não é preciso permanecer
deitado durante períodos longos; bastam períodos
de 15 minutos ou mesmo 5 minutos, mas é preciso estar
deitado com as pernas elevadas.
Colocar os pés sobre um apoio para pés (suavemente
e o mais alto possível), sem estender os quadris, é
minimamente útil, porque essa flexão também
facilita o fluxo de sangue.
E não esqueça: deitar-se o máximo possível
e elevar os pés tanto quanto possível é
melhor que nada.
Que cuidados se deve ter ao sentar-se
em cadeiras de rodas?
Você precisa ter certeza de que a distância entre
sua perna e o apoio para os pés é suficiente,
de modo que exista uma pressão mínima sobre
a parte posterior da região inferior da coxa e joelho.
Manter as pernas pendentes é um caminho certo para
ter problemas circulatórios. Tente elevar o apoio dos
pés dois ou três centímetros e assegure-se
de que existe pouca ou nenhuma pressão na parte posterior
da coxa. Se você colocar uma almofada na cadeira de
rodas, depois da altura do apoio para pés ter sido
ajustada, você precisa ajustar novamente o apoio para
pés para compensar a altura da almofada. Por exemplo,
acrescente uma fileira de almofadas de espuma no apoio para
pés sob os tornozelos, para tirar parte do peso que
recai sobre as panturrilhas.
O que mais se pode fazer para minimizar
o inchaço das pernas e pés?
Existem várias maneiras, algumas muito simples, que
podem auxiliar neste processo:
Mantenha os pés resfriados
Sentar ao sol durante alguns minutos é o suficiente
para que os pés inchem rapidamente. Isso ocorre devido
a dilatação dos vasos sangüíneos.
Manter as pernas à sombra faz diferença, mas
geralmente mantê-los resfriados é importante.
Limite a ingestão de sal
Esse item costumava estar no topo da lista de coisas a fazer
para minimizar o inchaço, mas a necessidade disso é
questionada hoje. Basta dizer para não ser excessivamente
indulgente com os alimentos salgados.
O que fazer ao perceber um coágulo
na perna?
Para reduzir o risco de coágulos sangüíneos,
assegure-se de que você está bem hidratado (uma
razão para não usar diuréticos). Se você
suspeitar de que você pode ter um coágulo em
uma perna, NÃO massageie a área. Eleve-a e chame
seu médico.
Última atualização: 18/04/2007
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