| Depoimento
Doug Eshleman (1998)
O americano Doug Eshleman, 41 anos, relata neste texto de
1998, a sua experiência como portador de ELA. Leia com
atenção as próximas linhas: mais do que
um depoimento, elas imprimem uma lição de busca
incessante por uma qualidade de vida mais intensa.
MINHA LIÇÃO DE VIDA
por Doug Eshleman
"Meu nome é Doug Eshleman e estou com esclerose
lateral amiotrófica há mais de dois anos. Os
médicos consideram que minha doença tem uma
progressão "moderada", mas, para mim, parece
que é rápida.
Como qualquer pessoa com esclerose lateral amiotrófica,
estou fazendo o melhor que posso para lidar com as muitas
mudanças impostas pela doença.
Tudo começou no outono de 1996, quando comecei a treinar
para a maratona de Columbus de 1997. Há dez anos não
participava de uma, e queria fazê-lo antes de completar
40 anos. Esse era o meu desafio.
Em dezembro de 1996, percebi uma ondulação
estranha em meus músculos e minhas pernas começaram
a tremer após o exercício. Achei que estava
exagerando no treinamento, de modo que decidi descansar durante
algumas semanas. Em janeiro de 1997, meus sintomas começaram
a piorar, e minha mulher Irene me convenceu a procurar auxílio
médico.
Minha médica pensou inicialmente que talvez eu tivesse
um desequilíbrio do cálcio e solicitou alguns
exames de sangue. Quando ficaram prontos e revelaram resultados
normais, fui encaminhado para um neurologista. Depois de me
examinar, o neurologista me disse que eu precisava fazer uma
eletroneuromiografia (EMG) e ressonância magnética
(MRI). Fui encaminhado então para outro neurologista
na Universidade Estadual de Ohio e foram realizados mais exames".
Uma nova realidade
"Em abril de 1997, descobri que não podia mais
correr, o que me deixou consternado. Além disso, foi
muito frustrante o fato dos médicos serem muito vagos
em relação ao diagnóstico. Eles haviam
começado a mencionar a esclerose lateral amiotrófica
como uma possibilidade, ao mesmo tempo que estavam excluindo
outras doenças, como tumores cerebrais, câncer
ou esclerose múltipla, o que me deixou aliviado. Meu
neurologista disse que ele era conservador em relação
ao diagnóstico e não diria que eu tinha esclerose
lateral amiotrófica, até que tivesse certeza.
Ele disse que a razão disso era a natureza "mórbida"
da doença.
Quando voltei para casa, procurei me informar sobre a esclerose
lateral amiotrófica na Internet e fiquei estupefato,
quando li que "a expectativa de vida era 2 a 5 anos".
Continuei a ficar cada vez mais fraco e estava tendo alguma
dificuldade de andar, especialmente quando eu descia escadas.
Meu médico continuou a fazer testes e eu disse a Irene
que deveríamos colocar nossa casa à venda".
A confirmação da
doença
"Eu sabia que tinha uma doença séria e
na velocidade com que minha força estava diminuindo,
nós precisaríamos em breve ter uma casa mais
barata e com fácil acesso para quem usava cadeira de
rodas. Em agosto de 1997, quando meu neurologista hesitava
em firmar o diagnóstico de esclerose lateral amiotrófica,
decidi obter uma segunda opinião na Cleveland Clinic.
Após realizar uma série de testes, os médicos
da Cleveland Clinic me disseram que eles tinham certeza de
que eu tinha esclerose lateral amiotrófica. Irene e
eu ficamos em silêncio, enquanto voltávamos para
Columbus; nossos piores temores tinham se confirmado. Meu
neurologista no Estado de Ohio confirmou o diagnóstico
algumas semanas mais tarde.
Os meses seguintes foram repletos de emoções
intensas, à medida que os familiares, os amigos e eu
lidávamos com os novos fatos. Achei particularmente
difícil pensar em morrer e abandonar minha Irene e
meu filho único Dan. Também estávamos
muito ocupados com todas as outras mudanças que estavam
ocorrendo em nossas vidas, incluindo os arranjos necessários
para vender a casa e comprar outra, mais adaptada a minha
nova realidade".
Convivendo com a ELA
"Eu vinha usando uma bengala, para evitar quedas, e estava
notando nesse momento mais efeitos da doença. Eu tinha
uma pequena dificuldade de falar e minhas mãos e braços
estavam se tornando muito mais fracos. Eu já não
podia mais realizar minhas tarefas no trabalho eficazmente,
de modo que, no dia 23 de outubro, entrei de licença
prolongada por doença e comecei a preparar o amontoado
de papéis necessários para a aposentadoria por
incapacidade. Mudamos para nossa nova casa um dia antes do
Dia de Ação de Graças em 1997.
Em janeiro de 1998, tornei-me participante de um estudo de
drogas na ALS, de âmbito mundial e 18 meses de duração,
realizado por uma empresa farmacêutica francesa. Durante
1998, eu progredi da bengala para o andador e para a cadeira
de rodas. Todos os músculos de meu corpo tornaram-se
mais fracos.
Estamos no início de 1999 e a doença prossegue.
Meus neurônios motores seguem com a doença e
meus músculos mantêm a atrofia. Estou mais fraco,
mas globalmente me sinto bastante bem. Tenho ouvido constantemente
as pessoas dizerem que elas não conseguem acreditar
quão bem estou lidando com a doença. Alguns
ainda dizem que eles não seriam capazes de lidar com
a adversidade tão bem quanto eu.
Minhas respostas são: Nem sempre lido bem com a doença
e você pode lidar com a adversidade tão bem quanto
eu. Organizei os mecanismos de lidar com a doença que
têm tido êxito para mim e cheguei a pontos importantes.
Lembre-se de que esses itens são o que funciona para
mim na minha experiência com a doença e cada
pessoa possui um modo próprio de lidar com a ALS".
Última atualização: 18/04/2007
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