| Neurotransmissores
De que são feitos os neurotransmissores?
Os neurotransmissores são pequenos pedaços de
proteína que carregam informações específicas.
Normalmente, eles ficam armazenados em vesículas dentro
da célula neuronal e são liberados quando há
o estímulo nervoso.
O que é o glutamato?
É um tipo de neurotransmissor. Um aminoácido
simples, e age como principal neurotransmissor excitatório
no SNC. Ele desempenha um papel importante na transmissão
rápida (isto é, resposta rápida ao estímulo),
cognição, memória, movimento e sensação.
Onde o glutamato pode ser encontrado?
O glutamato é mais encontrado no cérebro e tem
um papel fundamental na ELA.
Por que o glutamato tem um papel
fundamental no desenvolvimento da esclerose lateral amiotrófica
(ELA)?
Devido ao efeito neurotóxico sobre os neurônios
motores. A idéia de um neurotransmissor de ocorrência
natural ser neurotóxico foi um achado surpreendente.
O que é neurotoxicidade?
A neurotoxicidade é a qualidade de produzir um efeito
venenoso ou letal sobre o tecido nervoso.
Como se deu a descoberta da relação
entre glutamato e neurotoxicidade?
O primeiro relato aconteceu em 1957, mostrando que o glutamato
tinha um efeito neurotóxico sobre os neurônios
da retina de camundongos.
Um trabalho posterior para confirmar estes achados levou ao
desenvolvimento da "hipótese da excitotoxicidade":
isto é, que aminoácidos excitatórios,
tal como o glutamato, poderiam produzir efeitos neurotóxicos
como um resultado direto de sua excessiva despolarização
excitatória.
Porque glutamato em excesso pode
ser excitotóxico?
Para entender como o glutamato pode ser excitotóxico,
é importante entender como ele pode ser "excitatório".
Existem três tipos de receptores de glutamato nos dendritos
dos neurônios. Todos eles juntam-se ao glutamato e carregam
o impulso nervoso. Eles variam com base em sua resposta.
Que tipos de receptores de glutamato
são esses?
Um tipo de receptor do glutamato é acoplado a um canal
que permite ao cálcio fluir para dentro da célula,
quando o glutamato liga-se a este receptor.
Outros tipos de receptores (NMDA, AMPA) do glutamato são
acoplados a um canal que permite aos íons positivos
fluírem para dentro da célula.
O que ocorre quando há excesso
de glutamato?
Caso um excesso de glutamato esteja disponível na sinapse,
ocorre a despolarização, devido ao fluxo constante
de íons positivos para dentro da célula.
O que essa despolarização
promove?
A despolarização ativa os canais de cálcio
(Ca2+) de voltagem que permitem ao Ca2+ do lado de fora do
neurônio entrar na célula. Portanto, um influxo
de ambos, Ca2+ e outros íons positivos, está
ocorrendo agora.
E o que mais ocorre?
O Ca2+ é normalmente armazenado em minúsculas
bolsas no interior da célula. Quando o glutamato liga-se
ao receptor, ele também sinaliza para a liberação
de cálcio (Ca2+) dentro do interior da célula
via metabólitos secundários. Quando o sinal
certo é dado, as bolsas liberam o Ca2+ dentro do citosol
da célula. Os níveis aumentados de Ca2+ ativam
as enzimas digestivas intracelulares designadas para livrarem-se
das proteínas antigas ou indesejadas, DNA e algum componente
da membrana celular.
Até onde essas quantidades
são benéficas para a célula?
Em quantidades normais, estas enzimas são úteis
para a célula reciclar seus recursos. Entretanto, se
o glutamato está constantemente estimulando a célula,
as enzimas digestivas estão constantemente sendo ativadas.
Qual é o resultado disto?
A ativação constante das enzimas digestivas
irá, eventualmente, matar a célula, porque as
enzimas não mais digerem apenas as proteínas
/ DNA / componentes antigos e indesejados da membrana. Em
resumo, elas digerem a célula em si. Quando glutamato
excessivo está presente para superestimular a célula,
enzimas digestivas em excesso são ativadas.
A liberação de Ca2+ mantém a excitotoxicidade
do glutamato, porque o Ca2+ estimula a liberação
de glutamato a partir das terminações do axônio.
Portanto, o dano não se limita a um neurônio,
mas é transportado para os neurônios circundantes.
O que acontece quando o glutamato
permite o fluxo de íons positivos para dentro da célula?
Isto não apenas induz a despolarização,
como também causa edema na célula devido aos
íons positivos atraírem água do lado
externo da célula. O edema rompe a membrana celular,
danificando a célula e permitindo que mais Ca2+ extravase
para dentro do citosol. O sistema, literalmente, alimenta-se
de si próprio.
Um mecanismo final envolve uma bomba de íon, que expele
o Ca2+ da célula quando ela extravasa para dentro.
Entretanto, durante a estimulação excessiva
de um neurônio (isto é, quando existe excesso
de íons positivos na célula), esta bomba pode
operar ao contrário, bombeando assim Ca2+ para dentro
da célula, e causando todos os esses efeitos nocivos.
Isso quer dizer que todos estes
mecanismos participam na excitotoxicidade do glutamato?
Sim, todos estes mecanismos participam na excitotoxicidade
do glutamato. Não está claro, entretanto, se
o excesso de Ca2+ promove a liberação aumentada
de glutamato ou vice versa.
Como o sistema nervoso controla
o nível de glutamato para evitar a excitotoxicidade?
Através de três mecanismos utilizados no processo:
recaptação, quebra e inibição.
Como ocorre o mecanismo de recaptação?
Quando o glutamato é liberado dentro da fenda sináptica,
ele é imediatamente absorvido pela célula pós-sináptica.
Para evitar excitotoxicidade da célula pós-sináptica,
a célula pré-sináptica retorna para dentro
do seu axônio todo o excesso de glutamato não
utilizado pela célula pós-sináptica.
O excesso de glutamato pode também ser capturado pelos
astrócitos adjacentes
O que são astrócitos?
São células de apoio ao sistema nervoso que
alimentam os neurônios e fornecem auxílio estrutural,
assim como outras funções específicas.
Como ocorre o mecanismo de quebra?
Uma vez que o excesso de glutamato seja reintroduzido dentro
da célula pré-sináptica, é importante
evitar a excitotoxicidade da célula pré-sináptica.
Isto é levado adiante por uma enzima chamada Glutamato
desidrogenase (GDH). A GDH é encontrada nas terminações
do axônio e decompõe o glutamato instantaneamente
em uma forma inativa.
Como ocorre o mecanismo de inibição?
O mecanismo de inibição é mais genérico.
Para controlar a atividade do glutamato, este envolve a utilização
de neurotransmissores inibitórios, como GABA e glicina.
Porque existe uma discussão
concentrada em torno do glutamato, como peça fundamental
do desenvolvimento da ELA?
Porque a evidência científica, com forte apoio
dos neurologistas, aponta o glutamato como um agente suspeito
na etiologia da ELA. Os cientistas têm demonstrado que
alguns pacientes com ELA são conhecidos por ter metabolismo
anormal do glutamato.
Última atualização: 18/04/2007
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