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Descoberta do gene da esclerose lateral amiotrófica familiar

Uma equipe de cientistas, liderada por investigadores patrocinados pela Associação de ALS, descobriu o gene que, quando defeituoso, causa a maioria dos casos de esclerose lateral amiotrófica familiar (herdada), também conhecida como doença de Lou Gehrig. Seus achados foram relatados na publicação de 4 de março da revista científica internacional Nature.

O gene, no braço longo do cromossomo 21, codifica a enzima conhecida como superóxido-dismutase (SOD1), um mecanismo de defesa natural potente no corpo, responsável pela detoxificação dos radicais de livres, produzidos durante o metabolismo normal.

O gene SOD1 é composto de cinco exons (unidades codificadoras) que determinam o código de proteínas. Os investigadores encontraram que todos os indivíduos afetados nas famílias ligadas ao cromossomo 21 apresentaram mutações em pelo menos dois dos cinco exons, mutações que alterariam o código de aminoácidos que constituem parte da proteína de SOD1. Uma alteração na seqüência dos aminoácidos da proteína SOD1 poderia modificar sua estrutura e/ou função.

"Esse é um grande avanço que não apenas revela os mistérios da esclerose lateral amiotrófica familiar, mas também pode elucidar a causa da esclerose lateral amiotrófica esporádica", disse Robert V. Abendroth, Presidente do Comitê de Pesquisa da ALSA. "A ALSA está orgulhosa de que seu patrocínio precoce e contínuo da pesquisa de esclerose lateral amiotrófica familiar culminou nessa descoberta significativa".

Os investigadores-líderes, Robert H. Brown, M.D. Hospital Geral de Massachussetts e co-presidente do Comitê de Revisão Científica da ALSA, e Teepu Siddique, M.D., Faculdade Médica da Universidade de Nordeste, são bolsistas da Associação da esclerose lateral amiotrófica há muito tempo. A ALSA está patrocinando atualmente sua pesquisa sobre a esclerose lateral amiotrófica familiar que levou a essa descoberta. Dr. Siddique, juntamente com o Dr. Brown, também liderou a equipe de investigadores que, em maio de 1991, anunciou a relação entre a esclerose lateral amiotrófica familiar e o cromossomo 21.

Dr. Brown recebeu o patrocínio da esclerose lateral amiotrófica desde os anos oitenta para estudos de famílias na esclerose lateral amiotrófica familiar e mais recentemente para a identificação dos seus genes. A ALSA começou a patrocinar o trabalho do Dr. Siddique sobre genética molecular da esclerose lateral amiotrófica familiar em 1.984. Sua proposta, considerada arriscada por alguns recursos de patrocínio, foi considerada pela ALSA como um potencial salto para obter respostas. A ALSA continua a patrocinar esses estudos, para identificar os possíveis genes da esclerose lateral amiotrófica e defeitos genéticos.

Um outro participante básico nesse esforço de colaboração básico é o Dr. David Patterson, Ph.D., Presidente e Senior Fellow do Instituto Eleanor Roosevelt, Denver, uma bolsista da Associação de ALS atualmente, por seu trabalho na análise molecular das regiões do cromossomo 21, isolando marcadores o mais próximo possível do gene.

Essa descoberta surpreendente, embora não seja uma cura, abre o caminho para a compreensão da degeneração do neurônio motor e permite uma nova visão do possível tratamento e finalmente uma possível intervenção terapêutica para pessoas expostas a um risco de esclerose lateral amiotrófica familiar.

Enquanto isso, as famílias nas quais se encontra uma mutação do SOD1 podem ser orientadas sobre os riscos de transportar o gene. Entretanto, não queremos ser francamente otimistas em termos da imediação de qualquer tratamento. Estamos investigando modos de traduzir isso em estudos de tratamentos", disse Dr. Brown.

Nesse ponto, os investigadores não sabem se o defeito do gene resulta em quantidades insuficientes de SOD ou em uma forma hiperativa da proteína. Ambas são hipóteses plausíveis com base em dados bioquímicos, embora a primeira seja mais provável.

Siddique disse: "Os tratamentos seriam opostos, dependendo de que mecanismo se trata".

O defeito nesse gene pode resultar na lesão do radical livre dos neurônios motores. Não está claro por que os neurônios motores seriam escolhidos, mas estudos adicionais esclarecerão isto.

Brown, Siddique e seus colaboradores estão investigando hoje o(s) gene(s) nos casos de esclerose lateral amiotrófica familiar não-ligada ao cromossomo 21. E eles estão fazendo o máximo possível para relatar ou interpretar esse achado em relação à esclerose lateral amiotrófica esporádica.

Cinco a dez por cento dos casos de esclerose lateral amiotrófica são da doença herdada; os 90% dos casos restantes são da doença esporádica, embora ambas as formas da doença sejam idênticas em termos de diagnóstico, evoluções clínicas e resultado.

Um outro pesquisador, H. Robert Horvitz, Ph.D., um investigador médico de Howard Hughes no M.I.T. e co-presidente do Comitê de Revisão Científica da ALSA, disse "isso obviamente é um achado muito importante, pois ele estabelece a base genética molecular da esclerose lateral amiotrófica pelo menos para as famílias que possuem defeitos nesse gene. Isso é extremamente importante por si. Ele nos fornece uma base para tentar determinar a origem dessa doença [antes que os sintomas se manifestem pela primeira vez]".

O Conselheiro Científico da ALSA, Donald H. Harter, M.D., Senior Scientific Offices no Centro Médico Howard Hughes, concorda, dizendo: "essa é a primeira pista real nos 124 anos desde que a doença foi identificada pela primeira vez. E o fato desse achado ter sido feito em menos de dois anos depois da relação com o cromossomo 21 em 1991 é significativo. Isso não poderia ter sido feito, sem a colaboração de muitas pessoas".

Última atualização: 18/04/2007

Perguntas e respostas sobre descoberta do gene

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Última atualização: 27/04/2011
 
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