| Enzima
deficiente identificada como causa da forma de esclerose lateral
amiotrófica familiar (herdada)
Uma equipe de cientistas, liderada pelo pesquisador patrocinado
pela Associação da Esclerose Lateral Amiotrófica,
Teepu Siddique, MD, na Faculdade de Medicina da Universidade
de Nordeste, em Chicago, juntamente com uma equipe no Instituto
de Pesquisa de Scripps, La Jolla, Califórnia, presidida
por John Tainer, descobriu defeitos estruturais em uma enzima
que causa uma forma de esclerose lateral amiotrófica
familiar (herdada), também conhecida como doença
de Lou Gehrig. Seus achados foram relatados na publicação
de 20 de agosto da revista científica Science.
Os defeitos genéticos reduzem a capacidade da enzima
de remover os radicais livres de oxigênio prejudiciais,
de modo que ela não pode proteger contra a lesão
por radicais livres. Isso resulta na morte celular dos neurônios
motores que enviam sinais do cérebro e medula espinal
para os músculos.
Durante algum tempo, os cientistas formularam a hipótese
de um papel biológico central para a enzima, conhecida
como superóxido-dismutase (SOD) na proteção
contra a lesão por radicais livres. Essa nova pesquisa
encontrou uma relação direta entre as mutações
no gene para a SOD (chamado de SOD1) que produz uma enzima
instável, menos ativa e uma doença neurodegenerativa.
O estudo caracterizou as mutações da esclerose
lateral amiotrófica familiar e produziu evidências
da base estrutural específica para a doença
através da triagem genética de toda a região
de codificação do SOD1, ensaios de atividade
da SOD em membros das famílias com esclerose lateral
amiotrófica e determinação da estrutura
cristalográfica da enzima SOD por raio X.
De acordo com o líder da equipe Teepu Siddique, "esses
resultados estabelecem a base molecular da lesão por
radicais livres na esclerose lateral amiotrófica familiar,
assim como pistas para as possíveis estratégias
para mediar os efeitos da doença."
Em março desse ano, um outro estudo patrocinado pela
Associação de ALS relatou que, em 13 famílias
diferentes com esclerose lateral amiotrófica herdada,
todos os indivíduos afetados tinham mutações
pontuais nos exons 2 e 4 dos cinco exons de SOD1, as unidades
em um gene que determinam o código para as proteínas.
No total, 11 mutações pontuais diferentes foram
encontradas nesse grupo. O estudo discutiu um possível
papel para a atividade de SOD reduzida ou aumentada como causa
da ALS familiar.
No presente estudo, os investigadores encontraram três
mutações pontuais adicionais para um total de
14 mutações pontuais em 12 sítios de
mutação de aminoácidos em 23 famílias
com esclerose lateral amiotrófica herdada. Aproximadamente
50% de todas as mutações (isto é, em
um total de oito famílias diferentes) foram encontradas
em uma mutação previamente indefinida no exon
1. Também foram identificadas mutações
nos exons 2, 4 e 5, mas não no exon 3.
Siddique disse que os resultados desse estudo sugerem que
os defeitos nas enzimas protetoras, assim como as toxinas
geradoras de radicais livres, podem desempenhar um papel na
esclerose lateral amiotrófica esporádica (ou
não-herdada), esclerose lateral amiotrófica
familiar não-ligada ao cromossomo 21 e outras doenças
neurodegenerativas. Ele também advertiu fortemente
contra a automedicação excessiva ou imprópria
com os antioxidantes disponíveis atualmente, como as
vitaminas C e E por causa dos efeitos colaterais negativos
potenciais
O biólogo molecular John Tainer amplificou as implicações
da pesquisa, dizendo "Esperamos que essa descoberta que
associa a SOD defeituosa com a esclerose lateral amiotrófica
familiar venha a auxiliar pesquisas adicionais sobre o papel
dessa enzima antioxidante altamente eficiente para auxiliar
a proteger contra as toxinas ambientais e muitas doenças
degenerativas de início tardio, incluindo o câncer
e o envelhecimento".
Última atualização: 18/04/2007
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